26 Outubro 2009

sábios são os pássaros da minha rua
que obedecem apenas ao sol e à lua
- assim, em verso
mesmo que a natureza não rime

ainda que estivesse
de barriga honrdamente aberta
seria ininteligível
a afirmação visceral
incapaz a espuma sanguínea
de dissolver manchas
mesmo que um último grito
orgânico ecoasse
seria incompreensível
a sua suja gramática

Setembro

repara como acordes
de uma canção longínqua
se esgueiram por entre
as brechas da memória
e de repente
é dezembro à beira-mar
e as estradas por rasgar
não te levaram ainda
para destinos perdidos
numa existência portátil
entre desterro maldito
e transumância libertadora
e o não ser capaz
de ouvir os acordes até ao fim
mostra a memória
que me força à surdez

Junho