22 abril 2009

vago lugar

também a mim apetece dizer que és tu
o dono da minha anatomia
não há nenhum compasso
cardíaco
ao qual seja estranha a tua tonalidade
cada poro como amanhecedora flor
se abre ao calor do teu corpo
que ainda uso na memória
assoberba-me
a certeza inequívoca do meu amor
perdido algures
entre os passos do último passeio
e como ferreamente me agarro
ao sentimento
que em mim é tudo
quanto ficou de ti

07 abril 2009

ao cortares rente o futuro
atiráste para um tempo
só de memória todo o acontecido
sentenciando-o à mesma matéria
inconsistente dos sonhos
dei-me conta ao limpar com o guardanapo
de que tinha sobras de beijos
num dos cantos da minha boca
restos caducados do meu gosto de ti