perdoa a língua ácida lambendo
os tímpanos, as vísceras expostas
no despudor do desespero a saliva
áspera
desdobrando os vincos da carne viva
o hálito rebentando
as distâncias mal cosidas
03 dezembro 2006
da gaveta 3
o príncipe
desencantado beija
a face distraída e branca
da princesa salgada
a abóbora ao lume
a varinha mágica
triturando o encanto
o espesso esturro na mesa
final indigesto
de indecentes fadas
dorme o infante
de negro o fado
vigia os sonhos
e tudo mais uma vez
desencantado beija
a face distraída e branca
da princesa salgada
a abóbora ao lume
a varinha mágica
triturando o encanto
o espesso esturro na mesa
final indigesto
de indecentes fadas
dorme o infante
de negro o fado
vigia os sonhos
e tudo mais uma vez
da gaveta 2
no viver trémulo
aquando das cinzas
da rosa intacta
as nuvens sem pressa
num gesticular baço
ao perecer das horas
o sorriso suspenso
por trás do chá
a tarde desmanchada
o voo entrecortado
a demora exacta
na latitude nevrálgica
o salto intenso
aquando das cinzas
da rosa intacta
as nuvens sem pressa
num gesticular baço
ao perecer das horas
o sorriso suspenso
por trás do chá
a tarde desmanchada
o voo entrecortado
a demora exacta
na latitude nevrálgica
o salto intenso
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