08 fevereiro 2009

espeleologia da carne

fosse eu espeleóloga na tua boca
pelo teu esófago abaixo
e não encontraria resposta
deserta a língua apesar do mar
de saliva
sou já medidora-mor de distâncias
em fracções de silêncio
sei
o que dizes não dizendo

10 janeiro 2009

descaradamente copiado do blogue casadeosso, que me tolere o autor o ponto de ousadia a que chegou a admiração

«vinha pedir-lhe amor, como se fosse um pouco de arroz ou assim. é porque também precisaria de pouco. a mim qualquer coisa me basta e vindo de si, juro-lhe, o vir de si já seria mais do que suficiente. não me considere disparatado. pode ser um disparate o que faço, mas é de um juízo grande tudo o que fazemos para ir de encontro ao coração quando o coração está certo»

08 janeiro 2009

declaração suave

e se tenho saudades tuas
se gosto do teu ombro
cortando legumes ao lado do meu
se me apazigua a tua vigília
quando o meu sono se acaba
se se me excitam as papilas gustativas
por ser a comida servida pelas tuas mãos
se me falam as ruas da cidade
por se acompanharem do ritmo dos teus passos
se ganha brilho estelar o meu corpo
com a proximidade da tua pele