parti
numa caçada ao ar
com uma arejada rede
de cativar borboletas
esquecida da rede
inflei os pulmões
de aéreas moléculas
agora
os meus mais concretos pés
de flagrantes calosidades
escorregam
em passos de desarticulada dança
28 março 2007
24 março 2007
EU ESCREVO O MEU PRIMEIRO ROMANCE*
«O verdadeiro, o falso e o imaginário:
O romance não se opõe à realidade do mesmo modo que o falso se opõe ao verdadeiro ou a mentira à realidade. É mais subtil. O imaginário não é a mentira: é uma terceira ligação que não é nem mentira nem realidade, é o espaço do desejo que também participa na constituição da natureza humana. O desejo (...) não tem a realidade da vida verdadeira, mas sim a da verdadeira vida. Aquela a que aspiramos: o espaço das nossas potencialidades ainda não realizadas; não são da ordem da realidade realizada, mas das suas possibilidades virtuais.»
O romance não se opõe à realidade do mesmo modo que o falso se opõe ao verdadeiro ou a mentira à realidade. É mais subtil. O imaginário não é a mentira: é uma terceira ligação que não é nem mentira nem realidade, é o espaço do desejo que também participa na constituição da natureza humana. O desejo (...) não tem a realidade da vida verdadeira, mas sim a da verdadeira vida. Aquela a que aspiramos: o espaço das nossas potencialidades ainda não realizadas; não são da ordem da realidade realizada, mas das suas possibilidades virtuais.»
*Louis Timbal-Duclaux, Ed. Pergaminho, Lisboa, 1997, pp. 26 e 27
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